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SINTONIA FINA

Ao meu amor
Mudo
Os sons graves no estetoscópio
O levante em arco dos pássaros
- Em bando -
Narrando em sons miúdos
O voo livre que há no ócio.

Ao meu amor
Mudo
A ligeireza singela dos pingos de chuva
O som evaporado em estado de nuvem
Que ninguém mais escuta.

Ao meu amor
Mudo
A cadência dos passos
Que o aguardam na varanda
E o volume de meus abraços
Que trazem beijos na garganta.

Ao meu amor
Mudo
A infância,
A agudez experienciada
Na fé das crianças,
E as vozes em voo de águia
Quando do balanço
Suas mãos forem a alavanca.

Ao meu amor
Mudo
A veemência metalizada
Dos sons do vento
A brisa bem breve
Das forças dadas
Pelo caminho que nos cria
O tempo.

Ao meu amor
Mudo
O silêncio,
O mais sereno dos contraltos:
Mesmo que em tons mais baixos
Há o luzir de seus passos, lentos.

Ao meu amor
Mudo
Meus vultos no espelho,
E meus poemas
- Todos -
Sem lei, de aço

A cadência dos versos
Que nele encontram
A cor dos sonhos
- Quando me deito -
A luz dos olhos
Quando acordado.

(08/03/17 - 19:50)

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
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Do timbre
Dos anos
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E se eu usasse todos os meus dons
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