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A SINTONIA DO SILÊNCIO NO CAOS DO MUNDO

O que te faz sentir vivo?
O que, potencialmente,
Torna a tua existência viável,
Mesmo diante de toda e qualquer perda?

O teu ofício, a tua arte:
Ela é o motor e o combustível de cada sonho,
Das realizações que alcanças pelo caminho.

É o teu altar de equilíbrio
Tua prece de loucura
Tua instância mais pura
Quiçá, a única libertadora.

Mas para seguir acessando essa dimensão
Para que extraia dela e de si
O aparato que o mundo precisa
Para além da tua força criadora
E artística,
É preciso equalizar o ruído da roda do mundo com a do próprio peito
A ponto de silenciar o caos em movimento.

O caos continuará ali
Em golpes de imagem
Exercendo a atração exata
Para degenerar a força reparadora
De cada um dos teus dons...

Mas tu não ouvirás nada
E assim tua mente terá a concentração necessária para trilhar o percurso
Por sobre o que os teus olhos não alcançam.

A cada verso
A cada acorde
A vibração criadora
Sacudirá os tronos e as masmorras,
E a tua voz,
Será dona da mensagem e da honra:

Exerce o teu poder de perceber
O que há por trás das sombras,
Mas deixa a luz do sol
Ser a bússola
Para que, e só então,
Busques em terra nova
A tua palavra, pronta.

(06/02/2017 - 04:46)

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