domingo, 1 de janeiro de 2017

TERRA DO SOL

Eu vi...
Teus olhos me atravessaram
Como no princípio

Mas não era rastro de fogo,
Foco de incêndio inflamando
O céu em fogos de artifício...

Era a chama mais íntima
De um fósforo
Que estivera a espera
Pela faísca mais exata
- E precisa -
A combustão espontânea
Prestes a se alastrar dos olhos
Para o além espaço e sem medida.

Eu sei...
Teus olhos sequer piscaram
Não desviaram um segundo sequer
Dos meus lábios
Foi como se me beijasse a boca
E tirasse de mim cada palavra
- inda sílaba -
Me oferecendo nos braços
O laço exato do aconchego
Que chegaria,
- apenas e a tempo -
Com a tua vinda.

E sequer tive medo
Sequer raciocinei
Ou criei expectativas...

Foi como se finalmente
- Das cinzas -
Todas as minhas instâncias
- Poesia e Poeta -
Estivessem renascidas.

Eu vi:
O fósforo
Teus olhos

A faísca.

RECEPTIVO

Você ouviu o céu
Versejando luzes
E trovões
Por tua chegada?

A lua, mesmo assustada
Brilhou ainda mais alta e plena
E o poema
Me foi a única resposta possível

Você chegou
E veio rasgando o meu nome
A minha certeza
O meu pedaço mais revirado

E nem pude sentir os teus braços
Ou fazê-los de abrigo
A certeza antes tão longínqua
- e solitária -
atravessou o tempo, o medo
- e o risco da estrada -

Para ser esta linha
- de chegada -
Contigo.
(20/03/16)

POEMA DE PALETA

É tão pouco
O claro
Do que enxergo
- Imenso -
Fosse a dimensão
Mera questão de colorir
- O vento -
No inverno,
E em silêncio.

Sou preta
Azul púrpura
E rosa acetinado

Sou fúcsia
Cor de abóbora
E violeta...

Sou laranja
Verde musgo
E também sou chumbo
Se me deseja...

Mas sou cor de fundo
Se me decora
Em tua letra.
(21/03/16)