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SANTO DE LIRA

Santo.
Prometi não maldizer-te o nome em vão
Mas se ergo nos braços os raios em imensidão
Como não regozijar-me no vão sacro dos homens bons?

Porque quando me olhas então
Afundas na fé lúdica e livra-te de minhas mãos
E não leva-me em tuas bençãos
E não serve-me em teus anseios?

Rezo a acontecer-te em mais silêncios
E quando é óstia o que recebo
- Mastigo -
A degustar teus sacrifícios desatentos.

Diz o tempo
- Esfera etérea além- fora-do-eixo -
Que relógios devotam seus ponteiros
Aos teus recessos tão caóticos e desordeiros.

Como ousas me elevar ao altar do imenso
Sem ao menos adentrar em meu ilógico devassar
Em não-extensos?

Por isso te escrevo, ó Santo de delírio
E é para quem rezo forte
Meu norte são teus medos
Teus meios são meu mote!

Anote!
Pois é de crer que ergue-se esta lira
Em suave sopro de impacto lento
Em remoto controle do que rege o firmamento.

Firmo o pensamento
Pois é vida o que se esconde por trás do monge
- Imagino o magenta dos teus montes -
Equiparados ao longe
Dos comensais da morte no horizonte.

Santo!
A lira é teu nome
Que calo em oferenda sábia e nada sacra
Sem maldizer o que a fé esconde na palavra!

Escuta
Eu venho do mar que se ilumina
Na fonte das sombras e sem ressalvas
Eu sou teu resgate pronto
A confundir o bem das tuas causas
- Eu sou a pausa -
A tímida (e absurda) regalia que mal te basta.

Eu sou a fé descalça
A caminhar apta por sobre a brasa
E como já dizia a lauda
Onde há fé, há fumaça
Por isso rogo aos céus
Que inda me chovam tuas graças!
(04/01/11)

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