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FUTURO DO PRETÉRITO

Era pra ser você
Os seus olhos
Nos meus
Penetrados
De saudade
Esse corpo
Rebuscado,
Nossa linha direta
Chamando...
                      Me atende.

Era pra ser seu
O meu corpo
Corrente
A fluir enroscado
Nos teus lábios
Era pra ser seu o cheiro
Roubado
E o meu juízo um vago
Delírio
Em dia de sol
                      Nascente.

Era pra ser tua
- A boca -
Pulsante
No beijo
Que se desencontra...
- Louca -
De tanto se perder
Ao se misturar
Às tuas luzes e sombras.

Não há sussurro prévio,
- Só essa vontade que se agiganta -
Uma pequena molécula de mim
A arranhar-me a garganta em poema
A arrepiar os meus seios
- Fruta pronta -
A ser consumida quando me tens em ti,
- E tudo teu ainda pulsa em mim -
Bem entre as coxas.
(Setembro/2014)

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
E as lavasse do ritmo
Do timbre
Dos anos
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E se eu bradasse aos quatro cantos
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E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
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Sem que te sentisses um otário?