quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

ESTAÇÕES DE PAPEL

Não me leve
Tão a sério, por favor
Minhas palavras não chegam
Para pesar teus olhos...

Não.
Quero que guarde contigo
E em ti
O meu desejo de vida longa
Feito nas mãos do teu sorriso
A nitidez constrangedora
E a liberdade serena
Que só os teus versos
Acesos na voz presa
Creem comigo.

Em tudo por onde arde
Há princípio
Meu verso
Não é vicio
Não é virtude
Metamorfose ou risco.

Meu verso
É víscera,
Metabolismo simples
Cruel e convicto.

Não.
Não deixa apressar o entendimento
Sem antes enxugar minhas palavras
Do que eu tão profundamente
Ainda desconheço

Não pensa no que sinto
Pelo avesso
Mas enfrenta o espelho
E procura nos teus olhos
A fé de fevereiro
Sem dias santos
Sem teus tantos planos,
De oceanos
O mar está cheio.

Esvazia essa razão
Tão voraz
Que me rapta e mastiga
Os beijos que ainda posso dar
Desde que escrita
A língua esteja
E eu, sozinha.

Fulmina o raio verdejante
Da espera
Rasga a cor do tempo
Que de tão teimoso
Irrompe o gosto da primavera
E seca
A estrela
É estréia...
Nem toda lua é cheia
Nem todo amor que já se foi
Então já era.
(11/08/15)

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