segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

ENCONTRO DAS ÁGUAS

Sentou-se à beira do rio
E para seu espanto
Não fora reflexo
o que viu.

Não fora a lua
Espelhada n'água parada
E funda,
Nem a noite,
Esse véu de luzes
Sustentando cada estrela

Não fora imagem
- Mas fora poema -
A desconstrução silenciosa
Do medo
Evaporando-se às margens
Da lua cheia.

Duvidou.
Ergueu a coragem,
Aquela rocha enorme e quebradiça
E arremessou
Na água, a dúvida.

Pedra é palavra breve
- não raro afunda -

O poema
- se for de amor -
É como chuva:

A gota desce
Feito miragem vinda do céu
E me procura.
(20/04/16)

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