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ENCONTRO DAS ÁGUAS

Sentou-se à beira do rio
E para seu espanto
Não fora reflexo
o que viu.

Não fora a lua
Espelhada n'água parada
E funda,
Nem a noite,
Esse véu de luzes
Sustentando cada estrela

Não fora imagem
- Mas fora poema -
A desconstrução silenciosa
Do medo
Evaporando-se às margens
Da lua cheia.

Duvidou.
Ergueu a coragem,
Aquela rocha enorme e quebradiça
E arremessou
Na água, a dúvida.

Pedra é palavra breve
- não raro afunda -

O poema
- se for de amor -
É como chuva:

A gota desce
Feito miragem vinda do céu
E me procura.
(20/04/16)

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
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Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
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O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

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