segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

DONO DA LUZ

O tempo todo
Era você:
A sua voz
O seu olhar
A proteção do seu coração
Maciço
E precioso.

Era você
- Muito antes do outono -
Guardando bem entre as mãos
A gentileza do vento em cada sopro,
Carregando a fé imensa como dom
Pendurada no pescoço.

Era você...
Ali, pra mim
- o tempo todo -

Mas o medo,
- Calabouço de toda pretensa coragem
Por vezes congela as pálpebras
Em acrobacias baratas
Que sequer sustentam a verdade.

Não há malabarismo que disfarce
O coração que bate sem pulso nobre,
Não há silêncio que se compare
À voz radiante que se descobre
Quando do cárcere da ilusão
Ela se liberta em volume.

E como não há verso sábio
Sem o apuro frágil de seu curtume,
- Agora eu sei -
Não há poeta nem pulso claro
Sem a luz e o amparo raro do Vagalume.
(26/05/16)

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