DEPOIS DA CURVA

A sensação
é de um grande
e profundo
engasgo:
daqueles que permitem
A respiração
Apenas o suficiente
Para deixar sobreviver.

Não sofro de nada.
Sofro em mim
Tudo o que esqueço
para conseguir dormir,
E sigo acordada.

O sol visita as pálpebras
Com misericórdia,
mas sou bicho
e não reconheço como fé
O que é
Instinto.

A memória engole
Subtítulos
E, sem titubear,
Recria saudades
Das mais irremediáveis.

Não é triste
Mas vasto,
- o ofício -
Mesmo quando cabisbaixo
Guarda em si
Dignidade.

Há um curso
Para os olhos
Do pecado
Ou será que se perdem
Quando os meus olhos
Te acham?
(12/01/16)

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