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DELAÇÃO REPATRIADA (E DESPATRIADA)

Brasília,
- não é de hoje -
amanhece magoada:

Seus campos urgem cor de terra
- Seca -
o azul surge num céu que parece beira
- mas não é água -
É a umidade que guarda-se
Para não ser lavada a seco
Nem evaporada a jato
Por onde passa
- Ou se arrebenta -
Por queda de força
Ou de represa.

Por entre os arbustos
Os seus planos tão cheios de asas
Preferem o longo percurso do chão ardendo em brasa e areia:
A vista que se tem do verde
É só a da bandeira
Como oásis no deserto.

Ordem e progresso
E as estrelas do Cruzeiro do Sul
Desnorteadas
- E não é de hoje -
Não é plano, o desgoverno
Há a relevância de décadas
Da mísera fome do brasileiro
E do fastio de promessas
- de cuecas -
Cheias de dinheiro.

Caêtando
(pausa)
Jogo de poderes podres
Pobres perderem podem
- o que sequer tem -
Em posse dos que apodrecem
Em ignóbeis causas.

E não é de hoje...

Não há santos
Nem falsos guerreiros
Há o desespero e a sintática
Que a esplanada dos "mistérios"
Há tantos anos reverbera
Como ameaça.

Brasília
Essa ilha do distrito
Destituída como marco de concepção
Para ser cetro
Ora em mãos de delírio
Ora em choque de razão
De amorais da própria didática.

Era pra ser o novo berço
Era pra ser o braço forte
Não era para ser a escrava
Da nova era
- o seu escroque -

Se me comovo
É porque o povo que representa
- à penas pulsa -

Brasília, não é bastilha
É filha de uma mãe parida
- "indigente" -
Expulsa de seu ventre de fome vazia
Como miséria.
(

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Há quem diga
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