quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

DAS LIMITAÇÕES E DA POESIA

Que a tua única droga
Seja a impermanência:
A que pulsas
- Bem dentro de mim -
E teu único delírio
O gosto salgado
A relampejar o pensamento
Quando me tiveres só tua.

Que a substância da saudade
Seja o único alucinógeno
A corroborar no arrepio
Do reencontro...

Que da tua boca
A minha possa beijar a sede
- Da busca -
Das tantas noites adormecidas
E  em espera absoluta.

Que a faísca seja sempre
- Quimera -
A primeira a lamber nossos corpos
E a libertar nossas mentes
De tudo o que for desacato
À confusão de nossas pernas.

Que da tua natureza
Se faça a fonte
E da minha, a selva

Que o teu instinto
Aguarde a febre e a fissura
De quem se entrega, insone
Mas que adormece em transe
Quando a proximidade da noite
Se revela.
(27/02/2015)

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