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DAS LIMITAÇÕES E DA POESIA

Que a tua única droga
Seja a impermanência:
A que pulsas
- Bem dentro de mim -
E teu único delírio
O gosto salgado
A relampejar o pensamento
Quando me tiveres só tua.

Que a substância da saudade
Seja o único alucinógeno
A corroborar no arrepio
Do reencontro...

Que da tua boca
A minha possa beijar a sede
- Da busca -
Das tantas noites adormecidas
E  em espera absoluta.

Que a faísca seja sempre
- Quimera -
A primeira a lamber nossos corpos
E a libertar nossas mentes
De tudo o que for desacato
À confusão de nossas pernas.

Que da tua natureza
Se faça a fonte
E da minha, a selva

Que o teu instinto
Aguarde a febre e a fissura
De quem se entrega, insone
Mas que adormece em transe
Quando a proximidade da noite
Se revela.
(27/02/2015)

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
E as lavasse do ritmo
Do timbre
Dos anos
E as apresentasse pra ti?

E se eu bradasse aos quatro cantos
O mesmo silêncio que exiges
Que seja escutado
Por entre intempéries e raios
E te pedisse pra me ouvir
Claro
E em alto e bom som?

E se eu usasse todos os meus dons
Para subverter a beleza que não se vê
Com os olhos
E batesse no peito com a humildade
De um cego
Mas te ferisse com meus dragões?

E se o bem que eu te fizesse
Viesse sempre a costurar-me a boca
A cruzar meus braços,
E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
Haveria como professar a fé
Sem que te sentisses um otário?