quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

AMOR REMOTO

Apaga a luz
E assiste
Ao tempo
Clarear o vulto
Dos meus olhos

É no lapso dos outros
Sentidos
Que se ouve o pulsar permanente
Do que é sóbrio
E do que é sombrio

Guarda a sede
Cronometrada no silêncio,
Engole seco
A saliva
E deixa extinguir
O fóssil frágil
De voz primitiva

Deixa de habitar nau à deriva
E te atira
Ao mar

Esquece do chão
E da sensação de terra firme
Acostuma o teu olhar
Ao sol de vime
E as tuas pernas
À correnteza...

Apóia o medo na tormenta seca
E sobrevive,
Sem precisar de qualquer certeza:

Na imprecisão do mar
Só há que se duvidar
De maré certeira.
(04/08/15)

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