PRETÉRITO IMPERFEITO

É como se você 

Perdurasse

E eu, perdida

Tentasse subtrair

Cada vestígio...


Tá tudo aqui 

- comigo - 

E o perigo 

É um indefeso 

calhamaço 

De papel espelhado

Entre telhado e arranha-céu 

A um passo do abismo. 


Sabe, o teu sorriso?

Quando os teus olhos

Se segredam

indefesos?

Me desmontam

E dilaceram 

De fera 

Viro fêmea

E te recebo.


Se me toma firme 

Ao invés dos lábios 

O gemido 

Ao invés do beijo

O exercício lento 

De te trazer em mim 

Me juntar em ti

E te decorar por dentro...


Minha língua se aninha 

na tua loucura 

Os olhares se reconhecem 

Se perpetuam 

E o tempo

- claustrofóbico -

Implora pela chance 

De espiar 

- apenas por um instante 

Como é estar vivo. 


Entre arranha-céus 

O abismo 

O feixe de luz que atravessa a sala 

Você me atravessa...

Eu só peço por mais forças,

Você me abraça...


O jogo singular de palavras 

E rotas de fuga

Se entrelaçam

Como minhas pernas te laçam  

Entre as paredes...


Então vasculha

O meu olhar

Guarda o timbre

Da minha jura

O abismo 

No espelho

O velho calhamaço de papel

Eu de joelhos...


Palavra de poeta 

- Jamais será promessa - 


É começo.



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