POEMA DEVOTO

Me diz

Que o que eu vejo

Em teus olhos

Não é entrega 

Das mais inteiras 

- E sinceras - 


Que o olhar que me percorre 

Movediço 

Não paralisa o teu tempo

Como engole todo o ar

Que eu respiro. 


Me diz que é veneno 

O desejo legítimo 

Mas também é deleite 

Virtude e fome 

- E sede - 

A dádiva 

Em liberdade consentida 

De bem querer irrestrito.


Não, não escrevo meros termos

A erradicar desperdícios 

Mas o vocabulário que temo 

Silenciar sem sossego 

Até que possa alcançar teus ouvidos. 


Sim...

Eu vi teu corpo

Sobrepor o escuro 

E fosse infinito, 

Irradiar firmamento


A fé 

É um dom 

- invisível -

O amor,

É um templo.

(Dez/2014)

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