Pular para o conteúdo principal

POEMA DEVOTO

Me diz

Que o que eu vejo

Em teus olhos

Não é entrega 

Das mais inteiras 

- E sinceras - 


Que o olhar que me percorre 

Movediço 

Não paralisa o teu tempo

Como engole todo o ar

Que eu respiro. 


Me diz que é veneno 

O desejo legítimo 

Mas também é deleite 

Virtude e fome 

- E sede - 

A dádiva 

Em liberdade consentida 

De bem querer irrestrito.


Não, não escrevo meros termos

A erradicar desperdícios 

Mas o vocabulário que temo 

Silenciar sem sossego 

Até que possa alcançar teus ouvidos. 


Sim...

Eu vi teu corpo

Sobrepor o escuro 

E fosse infinito, 

Irradiar firmamento


A fé 

É um dom 

- invisível -

O amor,

É um templo.

(Dez/2014)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
E as lavasse do ritmo
Do timbre
Dos anos
E as apresentasse pra ti?

E se eu bradasse aos quatro cantos
O mesmo silêncio que exiges
Que seja escutado
Por entre intempéries e raios
E te pedisse pra me ouvir
Claro
E em alto e bom som?

E se eu usasse todos os meus dons
Para subverter a beleza que não se vê
Com os olhos
E batesse no peito com a humildade
De um cego
Mas te ferisse com meus dragões?

E se o bem que eu te fizesse
Viesse sempre a costurar-me a boca
A cruzar meus braços,
E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
Haveria como professar a fé
Sem que te sentisses um otário?