METAMORFOSE

Se eu te amo?
Amo.
E te mereço. 

Teu preço é a liberdade de olhar ao desamparo
Mas eu te recebo e preparo
Quase que no além-dentro do meu peito
E me calo.

Não vou dizer
do desmaio
de tanto pranto
da boca seca
Do verso, o vasto.

Não vou dizer do poema
O poente encantado.
Não vou dizer o recado
Que vem arder e doer no obscuro que busco
Em teus olhos, enjaulado.

Não vou dizer do presságio
O meu rapto é insonoro
Insone
Ecoando via láctea enquanto em vão fecha as pálpebras
E não dorme.

Não vou dizer o teu nome
Apenas deixo a rima em desfoque preciso
E a salvo, o grito que diz
Em vão, precedido.

Salvo teu nome
Escorre meu ímpeto...
E eu hei de te ter em véu sagrado
Pra sempre é um livro.

(2011)

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