DAS IMPOSSIBILIDADES E DO SONHO

A tela por onde se projeta
Minha memória
É o tecido de minha própria pele
Exposta...

O sono que beira minhas órbitas
Apenas esconde-se no silêncio pleno
De nossas vozes já sem volta. 

Um arrepio vem-me pelo peito
A explodir-me a carótida...

Giro meu corpo na cama
Pudesse demover o tempo
E retransmitir cada fagulha
Devorada
Por minhas palavras
Fossem elas
Ainda dignas de ternura
Fossem elas do temor máximo
Minha bravura.

Então encontro o teu olhar
A cozer
Mais um longo e detalhado
Cobertor
Para abrandar
O meu desassossego
E - só por um instante -
Adormeço.

Tarde demais...
Agora já era cedo
Então percebo que sequer chegaste
Quando eu já estava
De fato, amanhecendo
(2014)

Comentários

MAIS