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DA LEGITIMIDADE DO ABRIGO

Ei,

Eu tô aqui

Olhos grudados na ternura

Dos teus,

Aconchego de abraço 

Moldado no peito,

Silêncio a percorrer teus medos

Para que, com a mesma coragem, 

Eu vença os meus.


Ei,

Eu tô aqui, 

Pés aquecendo a extremidade

Trêmula

De cada insegurança,

Eu tô aqui

Embarcada e mesmo à distância

Atenta às marés 

E à correnteza,


Ei, 

Eu tô aqui inteira, 

- Sã e salva - 

Em cada passo 

Da condução misteriosa 

Das palavras,


E assim como me embalas

Na profundidade desconcertante

De tuas retinas,

Atravesso com meus versos

O papel e a neblina

Para apontar cada estrela 

De cego

À tua volta.


Sabe esse sopro de amanhecer

Que bateu à tua porta?

Foi só o firmamento 

Trazendo, enfim, o alívio

Pra cada resposta.

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PLANO DE VOO

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Matéria-prima
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A ponto de não averbar circunstâncias
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Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
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A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

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