DA CRUELDADE DO DESEJO

Se me tens nos olhos 

Eu te desafio a tatear 

A plenitude vaga 

Das coisas imaginadas. 


É que depois 

De tu e eu

- Sermos nós dois - 

A pele é desespero

É boca, é nuca 

É fissura alquímica 

Em fusão absoluta...


Não tem cor 

E não tem cura

É a latência esquecida

No rastro cego dos próprios verbos 

Que só no suor se faz escuta. 


Procura na curva exata 

Do meu desejo 

A tua loucura

Esfinge devorada por teus beijos

De autodidata do meu prazer

Em ser tua.


Toma meu corpo 

Com a embriaguez do encantamento 

Mais sóbrio 

Porque quando me olham,

Os teus olhos 

Me desnudam...


Não deixa minha pele sem o fôlego 

Tácito 

Das tuas rotas de implosão 

De minhas razões tão íntimas...


Não espera o vento tecer 

Os lençóis de nossas rimas

Me toma pra ti

E me des-ensina

O medo, o limite e o sabor

De estar viva.


Me deixa 

Morrer só pra ti

E te fazer morrer em mim

Até o fim, 

Sem anestesia.

(2014)


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