terça-feira, 29 de novembro de 2016

DA REINVENÇÃO DA ESPERA

Hoje
Eu só quero
O teu abraço,

Só.

Pra lembrar que não preciso
Ter medo no escuro
Que a paz é fruto apenas do amor
- Em estado puro -
E que basta o amparo do silêncio
Para tudo irradiar mais vivo:
É nos teus olhos que mora o meu sorriso.

E não importa a despedida breve
O tempo, o enredo ou a errância:
Tudo se encolhe no arrepio da pele
Que guarda do amor,
- O desejo -
Pra recriar esperança.

POEMA SIMILAR

Vai...
Extrapola
Polariza cada uma das tuas incógnitas
Sufoca
Suplanta
Substitui tudo por palavra
Impermeável
Enquanto me absorve pelos poros
- Pelos olhos -
E pela falta.

Perambula por meus ouvidos
E minhas páginas
Ignora cada palavra
Capaz de mover teus verbos
À minha estática.

Dispara a esmo
O que carrega o meu cheiro
Na tua barba...

Vai...
Faz de conta que me abraça
E que o tempo não cansou
Da fé em nada.
(2014)

DAS IMPOSSIBILIDADES E DO SONHO

A tela por onde se projeta
Minha memória
É o tecido de minha própria pele
Exposta...

O sono que beira minhas órbitas
Apenas esconde-se no silêncio pleno
De nossas vozes já sem volta. 

Um arrepio vem-me pelo peito
A explodir-me a carótida...

Giro meu corpo na cama
Pudesse demover o tempo
E retransmitir cada fagulha
Devorada
Por minhas palavras
Fossem elas
Ainda dignas de ternura
Fossem elas do temor máximo
Minha bravura.

Então encontro o teu olhar
A cozer
Mais um longo e detalhado
Cobertor
Para abrandar
O meu desassossego
E - só por um instante -
Adormeço.

Tarde demais...
Agora já era cedo
Então percebo que sequer chegaste
Quando eu já estava
De fato, amanhecendo
(2014)

DO VAZIO DAS PALAVRAS E DO MAGNETISMO DO TEMPO

Não há moradia
Em desabrigar-se...

Não há veneno
Que remedie a febre
De quem toma
O peito
Como termômetro
E antídoto.

Sejamos vivos
Apenas indivíduos
- autônomos -
Capazes de desconstruir
A continuidade imposta
Pela suposta linearidade do tempo
Dos outros.

Sejamos fomento,
Mão de semear raios
Nos céus esquecidos
De tantas noites em claro

Sejamos o raro
- o bem distraido e generoso -
Não há garantia ou prazo
Só a magnética do encontro.
(2014)

DOS CAPRICHOS DA TEMPESTADE

A linha do horizonte
Aponta
O limite e o pulsar
De cada onda.

O vazio do teu olhar
É uma afronta
Nesse náufrago é o mar
- não a sombra -

Barco a vela
Pulsa
Profundeza
Mas sem bússola
Ou estrela
Vem o vento a soprar
- não te esqueça -
(2014)

AUTO-ESTRADA

As estradas
São imóveis
Incalculáveis rotas
Nas curvas do desconhecido
Começam e terminam
No sentido
De quem as desenha
Consigo.

Não há lei
Direção proibida
Permitido estacionar
Mantenha-se à esquerda
Homens trabalhando
Acostamento em 100 metros

O trajeto
Guarda em si a noite
A manhã
E as estrelas dos faróis
Comprometidos de luz
Na escuridão
Como os olhos do tempo,
Nebular.

Não há provisão de chegada:
O ponto de partida
É contínuo
Como se ter estado aqui
Pudesse ser destino
De quem não irá voltar.

Não há tráfego
Ou sinalização
Uma daquelas placas
- Pisca-pisca -
Vermelho-azul turquesa
Conveniências ao preço
De um acidente
De percurso.

Ao condutor
Restam as dimensões
Táteis
De seus estímulos
- Futuros -
Sempre aventurados
No que ainda virá
Imprevisto.

Viver é um risco
Para poucos.
(2014)

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

FÁBULA ÀS MIGALHAS

Luzes são fonemas distorcidos
Pelo reflexo dos olhos.

Acende a tua fala
E palpita o meu peito
Na velocidade do som
Que assalta o pronome.

Ouve bem dentro dos teus termos
A eloqüência enumerada
Dos meus motivos
Ouve bem dentro da fome
A saciedade serena
De quem mira ao fim de um precipício.

Eu salto
Eu solto
Os braços e reconstruo
De vultos o mesmo muro
Meu casulo sem fim
Meu pesadelo carmim
Meu ócio em fruto.

Eu solto dos teus braços
Sem ver a quem
E voo.

Se for pra voltar
Então recue
Repercuta o adeus
E enfim
Se desespere.

Entregue tuas lágrimas
Ao sem apelo do silêncio.
Passeie por cada palavra
Que deixei pra ti
Como migalhas perecíveis
E não passíveis
de tempo.

Honre a inspiração que te toma
E ao menos uma vez
Admita:
Não recolha de mim
Os gestos descompassados do desejo
Não retire a mínima identidade
Da percepção de teus motivos.

Agarra o minuto
Espiralando-se devagar
E comprime o verbo
O amor
E a vontade
De ser meu de novo.

Pronto.
Nada que talvez as palavras
não desconversem
Nada que o teu orgulho
Não faça submergir encalacrado.

Enquanto puder conter
Medir
Rimar
Não haverá sido
Amor
O suficiente.

Preciso
Mesmo
É navegar.

14/07/2013
(15:02)

METAMORFOSE

Se eu te amo?
Amo.
E te mereço. 

Teu preço é a liberdade de olhar ao desamparo
Mas eu te recebo e preparo
Quase que no além-dentro do meu peito
E me calo.

Não vou dizer
do desmaio
de tanto pranto
da boca seca
Do verso, o vasto.

Não vou dizer do poema
O poente encantado.
Não vou dizer o recado
Que vem arder e doer no obscuro que busco
Em teus olhos, enjaulado.

Não vou dizer do presságio
O meu rapto é insonoro
Insone
Ecoando via láctea enquanto em vão fecha as pálpebras
E não dorme.

Não vou dizer o teu nome
Apenas deixo a rima em desfoque preciso
E a salvo, o grito que diz
Em vão, precedido.

Salvo teu nome
Escorre meu ímpeto...
E eu hei de te ter em véu sagrado
Pra sempre é um livro.

(2011)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

BEIJO DE CHUVA

Quantas palavras
Fui capaz de esquecer
Apenas para ler nos teus olhos
O desejo?

Quantos poemas
Abandonei
À liberdade
Apenas para que encontrassem
O universo dos atos
Sem palavras?

Mas todas as outras
As mais sóbrias
- e soltas -
Eu sobrevivi
- Aqui - 

Pra você
Ouvir
Da minha boca.
(2014)

BEM VINDA

Eu só queria
Que minhas palavras
Soprassem
A saudade da ausência
Em teus ouvidos
E te contassem
De cada pequena descoberta
Ou de como o amparo invisível
Do vento, conforta
Desde que as portas e janelas
Estejam abertas
Para ouvi-lo.

Eu só queria
Condecorar com afeto
Todo o vocabulário meticuloso
De nossos postos de comando
Eu só queria caber no teu olho
Com a ternura digna da inspiração
Que me desperta,
Sonhando...

Eu só queria
Que recebesse minha poesia
Confundida com o silêncio
Que precede o beijo
E que me sobe às pernas...

Eu só
Queria
Ser tua
Procura noturna,

Irradiar
À sombra
Ou à luz
Das cortinas
Na lua em que me esperas.
(2015)

sábado, 12 de novembro de 2016

ACHADO FOI PERDIDO

Não devolvo verbos secretos
Em vocabulários
de múltipla escolha.

Uma errada não anula
Uma certa,
Mas de certa maneira
Há muitas formas
De se entender
Errado.

Não se deixa uma flor
Ao relento
Esperando que as mãos do tempo
Reconheçam como afeto
O que não passa de um achado.
(2014)

O POEMA E EU

Acordei

Contigo

Em meu sonho

Mas as luzes na varanda

Refletiam o som do vento

Que se foi.


Nos teus olhos 

Eu perdi o direito de esquecer

Enquanto a ti

Restou a liberdade triste

De se repetir.


Eu reparti

Em mil pedaços

O futuro que escolhi

Só pra reencontrar nossos dias

Ao acaso.


Eu reparti

Meu amor

Minha fé

Mas a poesia

É unicidade.


Toma.

Guarda e espera.

O tempo das palavras

É templo do que vigora.

(2013)

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

DA MATÉRIA DOS SONHOS

Nas florestas mais escuras
Há o fruto transgressor
Que excede a cor e o nada
Habita ermo espaço
E reflete luz polarizada.

Por sobre ele
Voam
As águias
As gotas são o farol
As estrelas pingam o sol
Que das margens
Faz metáfora.

Nas florestas mais escuras
Resiste o legado
O dom é o inexplorado
Aguardando
Novos ares de descoberta.

Nas florestas
E nas árvores
Raízes erguem seus milagres
Fotossíntese é coragem
Novos raios em velha terra.

Sagrado é o fruto
Que irrompe o tempo
É no vazio que corre
O vento
E vasta é a era:

Não o condeno
Por morar em frestas,
Quisera ainda
O homem crer
Nas florestas
E não temer o escuro...

A semente é o futuro
Que não desiste na véspera.
(2014)

RESSONADA

Eu te empresto
Cada camada
Da minha pele
Adormecida
Para que sinta
O pulso secreto
Do meu amor
- e objeto -
De minha escrita.

ESTRUTURALISMO

O amor
É um dom
Não domínio
É o contorno macio
Dos lábios sem cor
A recortar alumínio...

O amor é um signo
A estrutura no abismo
O que apaga a estrada
E improvisa o destino.

O amor
É um domingo
A sós no Arpoador
Até o sol 
        ir sumindo.

LAVRADIO CELESTE

É preciso reconhecer cada espécie
De ramo
Folha
Fruto
Mas sobretudo
Raiz

A teia de contato
Vascularizado
Que libera cada molécula
De oxigênio
Na superfície

A terra abriga a semente
O sol faz a síntese
Mas o devir mais simples
- A gênese que se perpetua -
É ventura irradiada
De pura influência...

Há o tempo,
O solo,
A cadência de cada estação
- Da friagem ao viço -
O trato do grão
À colheita do fruto

Cada intervalo exato
Entre o ventre maduro
E o vento
Que varre cada vestígio...

Há o esmero
- a esmeralda -
Jóia bruta a arder galhos
Com equilibrismo.

Há a superexposição dos astros
Na terra
Há a sombra que apara
Na selva
Seus abismos...

Há o menino
O ente redentor que,
- E em tudo -
reverbera...

Há o poeta
Esse exímio agricultor
Que das folhas faz estrelas.

sábado, 5 de novembro de 2016

DA CRUELDADE DO DESEJO

Se me tens nos olhos 

Eu te desafio a tatear 

A plenitude vaga 

Das coisas imaginadas. 


É que depois 

De tu e eu

- Sermos nós dois - 

A pele é desespero

É boca, é nuca 

É fissura alquímica 

Em fusão absoluta...


Não tem cor 

E não tem cura

É a latência esquecida

No rastro cego dos próprios verbos 

Que só no suor se faz escuta. 


Procura na curva exata 

Do meu desejo 

A tua loucura

Esfinge devorada por teus beijos

De autodidata do meu prazer

Em ser tua.


Toma meu corpo 

Com a embriaguez do encantamento 

Mais sóbrio 

Porque quando me olham,

Os teus olhos 

Me desnudam...


Não deixa minha pele sem o fôlego 

Tácito 

Das tuas rotas de implosão 

De minhas razões tão íntimas...


Não espera o vento tecer 

Os lençóis de nossas rimas

Me toma pra ti

E me des-ensina

O medo, o limite e o sabor

De estar viva.


Me deixa 

Morrer só pra ti

E te fazer morrer em mim

Até o fim, 

Sem anestesia.

(2014)


POEMA DEVOTO

Me diz

Que o que eu vejo

Em teus olhos

Não é entrega 

Das mais inteiras 

- E sinceras - 


Que o olhar que me percorre 

Movediço 

Não paralisa o teu tempo

Como engole todo o ar

Que eu respiro. 


Me diz que é veneno 

O desejo legítimo 

Mas também é deleite 

Virtude e fome 

- E sede - 

A dádiva 

Em liberdade consentida 

De bem querer irrestrito.


Não, não escrevo meros termos

A erradicar desperdícios 

Mas o vocabulário que temo 

Silenciar sem sossego 

Até que possa alcançar teus ouvidos. 


Sim...

Eu vi teu corpo

Sobrepor o escuro 

E fosse infinito, 

Irradiar firmamento


A fé 

É um dom 

- invisível -

O amor,

É um templo.

(Dez/2014)

MONET AO MAR

Hoje

As águas de Monet

Molharam-se pra mim.


Os barcos 

Tinham qualquer coisa de repatriados

Como se os largos faróis escurecidos

Ressurgissem esbranquiçados 

- Da areia - 

Em um mar continuo. 


Consigo ver no reflexo da água 

O verde pegajoso da esperança: 

Navegar de mar, no sol, cansa...


E eu,

Fruto sempre inalterado

Jogo-me da nau 

- aos céus -

E despetalo:


Navegar é princípio;

O destino, 

Perseverança. 

(Maio/2015)




sexta-feira, 4 de novembro de 2016

CASO QUEIRA

Acaso eu te permitisse 

Tu provarias do meu amor?


Não do meu desejo

Da volúpia

Ou de meus sentidos, 

Mas também de meu sentimento

Consentido

Da face mais escondida

Dentre minhas todas fases

De poeta inconstante

E arredia?


Acaso eu te desse 

O usufruto absoluto

Do meu peito

Tu me tomarias em teu beijo

E adormecerias teu corpo

Assim, com o meu junto?


Ou fugirias ao soar

Do primeiro raio

De meu descuido,

Sem permitir aos meus olhos

O teu despertar aos meu fusos?


Sim,

Tua língua lambe meus poros

E respiro toda a imaterialidade

Que vem de ti

A cada frase em que me deseja.


Mas para além do que impera

Há o que rege cada verso

Mas que sequer vira poema.

(2012)

QUEBRA DE SIGILO

Meu amor,

Que tal a gente se olhar no olho

E deixar um se encontrar no outro

Sem o medo instantâneo que, 

- Sabemos - 

Habita os nossos silêncios

E compromete tantos sonhos?


Porque já existe 

Essa substância pura

E absolutamente tácita

A percorrer cada válvula-curva 

De palavra

Sem encontrar meios-termos.


E pra quê dar conta

Do que sequer foi feito

Ou carece de medida

Pra quê continuarmos reféns 

De nossas escolhas 

Se a liberdade é a única premissa 

Que faz do amor, verdadeiro? 


(2016)


DE_VASTO

Eu sou uma dama

Que se contenta com a sede

E com a fome

E com a mesma e infinita

Réplica tão pequena.


Se for de me vir

Que me venha

Que me sobre no olho

E que me retenha no fôlego

Enquanto a fé for imensa.


Eu sou um verbo

E só reverbero

Quando o que há de ferro

Me marca as veias.


Ah, sim!

E sei que te amo

E sei que te quero

E sei que não há tanto tempo

- Que não há tempo algum -

Que te revire

Ou que te traga

- Respire -

Ao meu lado...


Esse elo tão estupefato

- De estragos -

De histéricos restos

- E não me nego ao que não acho -

Acho bem que é hora de partir de mim

Rumo à solitude do que te assombra

Sumo de infinitude em leve afronta.


Se te amo

Não te conto

Nem à Santa

De santa não hei de ter um raio

Nem pleito

Nem vento

- Só o estilhaço -

O vidro

Vivo

Terno

- E mal comportado -

Quando percebo que te amo

E te assisto ao longe largo do meu vasto.


(2011) 

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

DA LEGITIMIDADE DO ABRIGO

Ei,

Eu tô aqui

Olhos grudados na ternura

Dos teus,

Aconchego de abraço 

Moldado no peito,

Silêncio a percorrer teus medos

Para que, com a mesma coragem, 

Eu vença os meus.


Ei,

Eu tô aqui, 

Pés aquecendo a extremidade

Trêmula

De cada insegurança,

Eu tô aqui

Embarcada e mesmo à distância

Atenta às marés 

E à correnteza,


Ei, 

Eu tô aqui inteira, 

- Sã e salva - 

Em cada passo 

Da condução misteriosa 

Das palavras,


E assim como me embalas

Na profundidade desconcertante

De tuas retinas,

Atravesso com meus versos

O papel e a neblina

Para apontar cada estrela 

De cego

À tua volta.


Sabe esse sopro de amanhecer

Que bateu à tua porta?

Foi só o firmamento 

Trazendo, enfim, o alívio

Pra cada resposta.

ACASO SEJA

Que seja
Fôlego 
A falta de ar,
- de meus pulmões comprimidos - 
Na doce dose 
E no empenho
Da tua escuta...

Que seja querer bem 
O mirar e ver da tua boca 
Que em toque "despetalar"
À minha se junta.

Que seja música 
Essa nota solta
E sem juízo a retalhar
O improviso ímpar 
De par em par,
Sem faz de conta. 

Que seja lúdica distorção
Ao som do rádio 
E do trovão 
Na chuva de amperes 
Da minha poesia.

Que seja exceção 
Premissa breve da alegria
Que não fuja à regra 
- mas que a enfrente  - 
Com saberes de tato
E o toque abstrato
De nossos quereres.



CARTA CAPITAL

Não sei mais

Escrever 

Pra você.


Não sei mais

O que há de haver

O que fiz 

(Ou não)

Pra merecer 

O silêncio detalhado

De saudade

A roubar-me a criação. 


Não sei mais

Escrever

Poemas

Pausas

Pleitos

Ou pleonasmos 


Não sei mais

Respirar fundo 

e engolir seco aos intervalos


Não sei mais dar ao poema

O significado tão óbvio 

Do que finjo não saber

- Escrever -

Pra guardar a salvo...


O Amor.

POEMA BENDITO

O melhor da tua força

Está na delicadeza dos teus braços

Sempre aconchegados

Da sensibilidade firme

Que carrega nos olhos

A flutuar meus sentidos

Fluidos. 


Que privilégio não temer

No verso, o exagero

- nem ao vivo - 

Porque mesmo ao longe

Teus verbos me conduzem

Às luzes irreparáveis

Do arrepio.


E na boca 

Essa serpente 

A envolver mistérios

Em alma nua...


A tua pureza é bruta

Mas mansa e profunda

Como o arrebatar do beijo

No frêmito do desejo

Inevitável

De que me possua.


Teu amor é ágil

Mas repousa nas delicadezas:

No dilatar de pupilas

Em gentileza sôfrega 

E macia...


Nas poucas frases a auscultar

Teclas de consentimento,

No vívido silêncio de contenção 

De maiores (e acíclicas)

Arritmias cardíacas.


Por ti

Meu peito para

E depois que diz_para

Segue rumo exato

Ao desencontro


É dessa vertigem 

Em equilíbrio tácito

Que o amor renasce pronto,

Afronta aos outros

Que diante de seu prospectar

Elipsado de saudade,

Desaparecem feixes de minuto

Como um sopro.


Por teu amor

Minha poesia se ergue

Imperecível

Para validar a fome

Que em ti me consome

De pronto


Por ti

Minha poesia 

Honra o nome

E dá nome ao Santo.


Pra ti

Meu amor

É cântico a embalar 

- Sagrado - 

O toque do profano.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

PRETÉRITO IMPERFEITO

É como se você 

Perdurasse

E eu, perdida

Tentasse subtrair

Cada vestígio...


Tá tudo aqui 

- comigo - 

E o perigo 

É um indefeso 

calhamaço 

De papel espelhado

Entre telhado e arranha-céu 

A um passo do abismo. 


Sabe, o teu sorriso?

Quando os teus olhos

Se segredam

indefesos?

Me desmontam

E dilaceram 

De fera 

Viro fêmea

E te recebo.


Se me toma firme 

Ao invés dos lábios 

O gemido 

Ao invés do beijo

O exercício lento 

De te trazer em mim 

Me juntar em ti

E te decorar por dentro...


Minha língua se aninha 

na tua loucura 

Os olhares se reconhecem 

Se perpetuam 

E o tempo

- claustrofóbico -

Implora pela chance 

De espiar 

- apenas por um instante 

Como é estar vivo. 


Entre arranha-céus 

O abismo 

O feixe de luz que atravessa a sala 

Você me atravessa...

Eu só peço por mais forças,

Você me abraça...


O jogo singular de palavras 

E rotas de fuga

Se entrelaçam

Como minhas pernas te laçam  

Entre as paredes...


Então vasculha

O meu olhar

Guarda o timbre

Da minha jura

O abismo 

No espelho

O velho calhamaço de papel

Eu de joelhos...


Palavra de poeta 

- Jamais será promessa - 


É começo.