ZONA DE ATRITO

Hoje
Eu quero que receba
O diagnóstico
A urgência
A saudade estalada
No cheiro de borracha queimada
Dos pneus que cantam o desespero
Pelo asfalto.

Hoje eu quero que me tire pra dançar
Com o som mais alto
E a risada mais tímida
Que me mostre nos olhos
Cada uma das coreografias
Que me devoram
Contorcida
Enquanto mal consigo
Dizer uma sílaba.

Hoje eu quero
Uma rota qualquer
De colisão com teus motivos
Os meus ressignificados
Na velocidade magnética
Do despreparo...
Ou do instinto.

Hoje, eu quero
O abajur
A penumbra
E o abrigo,

Hoje, eu quero
O poema
Contínuo.

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