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POÉTICA PRECISA

Há um conflito
- Nítido -
Entre o que quero,
E o que quer
Se escrever,
- Ser passado a limpo -

Eu,
Agente de minha própria linguagem.
Ela,
Pulsão indomável que constitui
O que nem mesmo saberei
Até cada verbete ser escrito.

Enquanto isso,
Dou voltas
Mas não mais me exponho
Em rotas circulares
Ou manobras de rebanho:
- Eu não reincido -

Essa angulação do teu olho
Eu já percorri ao fastio,
E eu teria te permitido
Sentir esse amor ainda vivo,
Mas não há mais vértices
A verter meu consentimento.

- Quando para não ver -
O olhar perde-se,
Eu te desejo
O mesmo átimo motor
Que desaparece na letra,
Tão absorvente quanto minha pele
Se despede do terror sentido.

Eu te perdoo
Por quase tudo,
Mas não perduro
Teus postos de abandono,
Não aceito mais as migalhas redentoras
Dos teus demônios tolos.

Agora sou eu
Quem guarda as portas
As janelas,
E a parede invisível da sala
De estar só.

E eu sei ser sozinha:
Bicho, cria própria de mulher aguerrida.

O amor que há em toda poesia
Só se cala diante da destruição
- Em massa -
Das sílabas.

E eu, meu bem,
Estou inteira,
- Inteiraça -
Minha essência não se desgasta
Pois a cada poema
Minha linha vira sutura,
E cicatriza.

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Há quem diga
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