Pular para o conteúdo principal

POEMA DE BOM DIA

Não...
Não desperta agora:
Deixa-me embalar
O teu desejo
Com o toque sutil
Dos meus dedos
A percorrem-te em órbitas.

Fica assim
- Bem de lado -
Que é por trás do teu corpo
Que os meus beijos te acham
- E por onde eu começo a me perder -

Costas, nuca, pescoço
Meu peito dispara,
E a respiração oscila
Tensa,
Enebriada,
- Inequívoca -
A elevar-me, plena
- Pressão sangüínea -

Me deixa decorar
Teus contornos
- Com a língua -
E lentamente,
Deixa tua alma
Reconhecer a fusão
Da tua matéria-prima
- Com a minha -

Sente o meu abraço
Avolumado e sinuoso
Sente minha boca escorrer
Em teu socorro
Ouve meu gemido
Só pra ti
Pra te libertar do sono
Por onde me prende
- Entre as pernas -
E esperas o meu gozo.

Sente o conforto
Do meu beijo
E do meu pecado:
Assiste coincidir
O teu gosto
Com os meus lábios. 
Seja-me ágil:
Arrebata
A minha ternura
Para fazer de mim
Tua metáfora
- Crua -

Decora o meu olho
Com as respostas
Que só tu podes dar,
- Em linha ágrafa -

Abre a garrafa,
Espalha o vinho,
E me junta pra ti
Em goles esbaforidos
De saudade.

Bebe de mim,
- O infinito que se debate -
Enquanto tu repousas enfim
Tudo teu em minha carne.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
E as lavasse do ritmo
Do timbre
Dos anos
E as apresentasse pra ti?

E se eu bradasse aos quatro cantos
O mesmo silêncio que exiges
Que seja escutado
Por entre intempéries e raios
E te pedisse pra me ouvir
Claro
E em alto e bom som?

E se eu usasse todos os meus dons
Para subverter a beleza que não se vê
Com os olhos
E batesse no peito com a humildade
De um cego
Mas te ferisse com meus dragões?

E se o bem que eu te fizesse
Viesse sempre a costurar-me a boca
A cruzar meus braços,
E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
Haveria como professar a fé
Sem que te sentisses um otário?