NO MEIO, O CAMINHO - para Marisa Vieira

A menina 

Sentada no cume da pedra

Mais íngreme

Partilhava com delicadeza

O alcance dos próprios olhos.


Gritava ao vento 

Braços abertos

Silêncio absoluto,

Pudesse guardar a vida

Em uma caixinha de fósforos 

Como quem captura um inseto.


Enquanto os deuses mais céticos

Assistiam ao girar da roleta 

Que parava em números exatos

A empalhar borboletas,

A menina

- Agora de pé - 

Já não era mais a mesma:


Trocou a pedra 

Pelo poder 

E foi voar entre as letras. 

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