MAR É DE ENCONTRO

Sentou-se à beira do rio

E para seu espanto

Não fora reflexo 

o que viu. 


Não fora a lua

Espelhada n'água parada

E funda,

Nem a noite,

Esse véu de luzes

Sustentando cada estrela


Não fora imagem

- Mas fora poema -

A desconstrução silenciosa

Do medo

Evaporando-se às margens

Da lua cheia.


Duvidou.

Ergueu a coragem,

Aquela rocha enorme e quebradiça

E arremessou

Na água, a dúvida.


Pedra é palavra breve

- não raro afunda -


O poema 

- se for de amor - 

É como chuva:


A gota desce

Feito miragem vinda do céu

E me procura. 


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