DA ESTÉTICA DO VAZIO

A palavra é tentativa
Armadura e substrato
O amor é voo livre
Fé súbita nas asas
Depois de já feito
O salto.

Se o pouso é forçado
O risco não é crime
Veículo volátil do tempo
O medo é um cego imediato
E é do tato
Que se sobrevive.

A palavra emerge
A substância afunda
Como num ato calculado
De equilíbrio

O amor é vivo
Pulso que ergue a fé
Em si mesmo e no outro

O amor é esforço
Semente interina do vasto
Grão, quando não germina
E pasto, quando cresce pouco.

Doer é um enigma fechado
- em si mesmo -
É o desespero
Consumado no estrago
Mais íntimo.

O amor
não é um termo
Possível
Antes um transgressor incalculado
Da dimensão mais frágil do mito.

A palavra inventou
O verbo
Para viver o perigo... 

Todo poeta é um esteta
Do precipício.

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