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DA ESTÁTICA DO TEMPO

Difícil despertar 

Com teu suor engasgando 

Os meus poros 

Como se meu corpo 

Abduzido, 

Tentasse em vão 

Recolher memórias 

- No enquanto - 

Do que vivo.


Foram muitas as horas 

E os beijos engolidos 

No desejo de te ter 

E de ser o estímulo:

A faísca,

A tortura doce 

E ambiciosa da dúvida,

E tu a explorar meus limites 

E eu a encontrar nos teus 

A mais sincera das súplicas.


Difícil despertar 

Enquanto beijo os teus olhos 

E te quero mais 

Do que pareço 

Ao dar-me toda 

E apenas ao teu capricho....


Parece um vício 

Essa entrega de destemer 

Coisas findas,

Essa boca a percorrer 

A minha língua,

O nosso encaixe,

No tal espelho,

Revelando-se na carne 

Em desfecho...


Vem-me inteiro 

Coloca-me no eixo 

No delírio mais mortal 

Sem deuses ou segredos.


Dou-te o direito 

E tu me roubas a lei 

E as esferas 

Redistribui as massas dos planetas 

E da terra,

Só pro mundo esquecer de girar:


Chama viva e flamejante 

Fosse o tempo, apenas 

Um errante 

E a matéria 

Um recurso mágico e infinito 

De colidir o que já era, 

Para então ser contigo.

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