ANTEPOSTO

Há quem redescubra o céu 

Por entre limites

De vertigem profunda


Há quem dispare o peito

Arranque o fôlego

Apenas para demonstrar

Que a aridez dos dias sombrios

Jamais sufocará a bravura 

De quem ousa sobreviver

Aos abismos.


Há quem embale o medo

Nos olhos

E ponha pra dormir o temor

Do dia seguinte


Há quem desperte na língua

O gosto atenuante

Da liberdade


Há quem esfregue os lábios

Com a ternura descompassada

De um beijo roubado 

E esbaforido 


Há quem rapte de mão beijada

A ausência que antes fora digna

Do infinito.

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