AMANHÃ SER

Meu amor,
Temo não poder subscrever sentimentos,
- Não os de ordem mais fatídica
E assertiva,
Como aqueles que derivam do verbo enamorar-se.

Minhas faculdades foram (por hora) comprometidas
Minha percepção dá sinais claros de fadiga
E meus versos já nascem recusados
De todo e qualquer esboço de pretensão.

Uma ou outra rima me pega de assalto
E o poema acontece
Assim, de solavanco
Como se no pranto desaguasse
À mingua
A natureza de minha inspiração.

Eu, corrente, fluída e fugidia
Preciso da palma que com gentileza
Alivie as dores de minha garganta seca
Que beba da água fresca da nascente
Que encerre o medo de existir-me só.

E, preciso, que ainda que sozinha
Me ensine agora e de novo
O gosto do desejo rouco
Que só se tem ao pôr do sol.

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