RENDIÇÃO

Eu queria tanto
Que tivesse visto
O que havia por fim
Pele e carne
- Ali - 
Esperando apenas
E de modo intransferível
Pelos teus olhos,
Pelas tuas mãos,
Aceleradas
E marotas.

A cor da minha boca
Confundida com cada escolha
De urgência e capricho,
O tecido finamente vestido
Para te esperar
Me desvestir
- Só pra ti -
Na velocidade
- Ímpar –
Do teu ímpeto.

A aderência natural
Ao suor dos nossos poros,
À liberdade extraditada
Na condução misteriosa
De cada um dos dons de Hórus.

Oxalá acendeu os meus olhos
Para encontrar os teus,
Tão dignos
Quanto o bem apócrifo
Do ofício de nossos ossos
Transmutados em letra.

Eu sei, em cada dor violenta
Há a paz que se esgueira
Por entre fases de lua cheia
E em leito vazio
Prenuncia o voo das borboletas.

Não há retiro seguro
Nem entrega que se estenda:
Aceita a cor da oferenda
Que há muito se repartiu
Entre luz e sombra há um único fio
Pelve e súplica sob a renda.

Comentários

  1. Gostei muito desse poema! você escreve muito bem, pode expressar de uma forma tão incrível!!

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