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DESTINATÁRIO INEXISTENTE

Hoje eu quis escrever pra você
Talvez para dizer
Que tudo por aqui
Vai bem.
Mas você não vai:
Você fica.

No sussurro das horas
Confundidas de desprezo
No despertar de cada sonho
Que adormeço:

Você permanece...
E não há quase nada
Capaz de re-mover
O som que acorda a sala
Se tudo o que vejo
- ainda que eu não ouça -
É a sua voz
Rouca
E incendiada
De ousadias ternas
E ternuras das mais cínicas...

Teu olhar de rasgar meu peito
E engolir minha saliva
Tua boca e cada "promessa" que,
Fosse verso de fogo no mar,
Jamais se cumprira.

Hoje eu quis escrever
Só pra você
Talvez pra merecer
Não uma carta
Quiçá um "abre aspas"
- uma inspiração mansinha -

Hoje eu quis escrever
- Pra você -
Pra lua não amanhecer
Vazia.

Comentários

  1. Curti demais seus poemas, espero estar sempre acompanhando

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    Respostas
    1. Muitíssimo obrigada pela generosidade da sua leitura e a gentileza do comentário, Alexandre! Seja bem-vindo! :)

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    2. Hahaha gostei mesmo de ler seus textos! ;)

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
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Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
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O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

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