DA REINVENÇÃO DE TUDO

Não há mais nada
Que eu queira
Guardar
Além de ti.

Minha poesia
Revela-se
Fosse vida
Em uma sala da espelhos
E o tempo
A lona que desmonta o picadeiro
De um palhaço sem pressa...

Não há nada
Que eu queira guardar
Além da premissa:
- não há promessas -
Palavras cavam as próprias vias
Expressas

E eu, fronteiriça
Margem que flui mar revolto
Navego pelo ventre
E pelo dorso
Da mais suave correnteza.

Sou cria viva das sílabas
Fatal reinvento do curso do vento
A fé que guardo no tempo
Não é silêncio
Nem é ferida:

É chance nova
Semente que germina
Na fria e severa tormenta
Que espalha em mais palavras
A síntese óbvia e oblíqua:

Viver é um enigma.

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