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POTÊNCIA PURA

Não sei bem
Qual parte de mim
Ficou.

Eu, sempre fui
De não ir...

Mas algo que até então
Eu desconhecia
Atravessou
Íntimo
E claro
E atento
A posse de todos os meus sentidos.

Eu mantive a distância
Exata
Da incredulidade:

Eu não pensei
Eu não pretendi
Eu não desisti
Eu "não" nada...

Tudo em mim
Foi "sim":
Afirmativa simples
Concessão absoluta
Mas tão inédita
Que sequer foi manifesta:

As palavras
- minhas cúmplices ocultas -
Expuseram-se à minúcia
Fossem corpos esbaforidos
Enfim repousados no chão,
Plenos.

Sequer imagino
As piruetas de linguagem
Do meu desejo:
Não houve de haver.
Houve de ouvir.

E dizer,
- pra ti -
Elevou todo o meu vocabulário,
Na paz que enfim eu encontrei
Nus, os teus olhos.

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
E as lavasse do ritmo
Do timbre
Dos anos
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Por entre intempéries e raios
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De um cego
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Viesse sempre a costurar-me a boca
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E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
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Sem que te sentisses um otário?