Pular para o conteúdo principal

AUTO DE ANUNCIAÇÃO

A vida
tem o sonho
de bastar-se
eterna
Mas prossegue finita
febril
e faltosa.

E é nessa busca
pelo que jamais haverá de ter lugar
Que vagamos exatos
por dimensões de delírio.

Me dê a mão
a mola propulsora
de todo e qualquer desejo
E eu impulsiono o mundo
para parar o tempo em nós.

Tudo teu, meu amor:
meu sonho
minha sutil arritmia
quando chegas e me tens nos olhos
na boca
por entre palavras...
Sei quando sou a escolha.

E eu escolho viver vasta
E inteira nos teus lábios
que sussurram à cada noite
a espera pelo dia seguinte.

Sim
Hei de amanhecer nos teus olhos
todo dia.

Abro a janela e contemplo
 - Não a noite fria -
Mas a saudade que sopra e queima
A brisa leve que o vento já anuncia.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
E as lavasse do ritmo
Do timbre
Dos anos
E as apresentasse pra ti?

E se eu bradasse aos quatro cantos
O mesmo silêncio que exiges
Que seja escutado
Por entre intempéries e raios
E te pedisse pra me ouvir
Claro
E em alto e bom som?

E se eu usasse todos os meus dons
Para subverter a beleza que não se vê
Com os olhos
E batesse no peito com a humildade
De um cego
Mas te ferisse com meus dragões?

E se o bem que eu te fizesse
Viesse sempre a costurar-me a boca
A cruzar meus braços,
E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
Haveria como professar a fé
Sem que te sentisses um otário?