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Mostrando postagens de Maio, 2013

LUNAR

O dia esconde-se
Noturno
E tudo o que se vê
é céu
Feixes de luz automáticos
Ditos-estrelas.

Há um recanto arredondado a aparelhar a reza do poeta.

Há a espera
Voluntariosa mas de duração presumida.
Há a vida
Previsível eloqüência do inesperado
Há o acaso
O curto
Circuito infinito

Há o oposto
Ao dito
Há o amor a prazo
O nosso
É ao vivo.

AUTO DE PRECIPÍCIO

Já não sei viver
Sem tua sombra
A recortar-me
Por entre pares de olhos
Meus ouvidos.

E eu te ouço
Curto e estancado
Na letra mínima da canção
Repelida
Pela ausência fria
ou em vastos sentidos.

Eu sei te ouvir
Dormindo
Por entre o sono embaçado
E o despertar irredutível.

Espanta-me a dor em teus olhos
Como quem engole o céu
Por entre lagos e precipícios.

Em pensar que a poesia
Repousa o viço
Tal a sombra de uma árvore
Recompõe o suor dos legítimos.

Justo?
Não.
O amor é um abismo.

LUA NOSSA

Olha no meu olho
Bem devagar
Nao tira os seus olhos
De dentro de mim

Percebe o quanto me entrego
Irrestrita
Ao nosso ritmo
E sem pressa alguma.

Não diga uma palavra
Não ouça nada 
Além da minha alma
Vulnerável ao afago do teu corpo.

Celeste
Corpo de luz
Cadente
Fecha teus olhos
E faz um pedido.

Os olhos da lua
Sempre serão os meus 
Desejos
E os teus, ouvidos.

AUTO DE ANUNCIAÇÃO

A vida
tem o sonho
de bastar-se
eterna
Mas prossegue finita
febril
e faltosa.

E é nessa busca
pelo que jamais haverá de ter lugar
Que vagamos exatos
por dimensões de delírio.

Me dê a mão
a mola propulsora
de todo e qualquer desejo
E eu impulsiono o mundo
para parar o tempo em nós.

Tudo teu, meu amor:
meu sonho
minha sutil arritmia
quando chegas e me tens nos olhos
na boca
por entre palavras...
Sei quando sou a escolha.

E eu escolho viver vasta
E inteira nos teus lábios
que sussurram à cada noite
a espera pelo dia seguinte.

Sim
Hei de amanhecer nos teus olhos
todo dia.

Abro a janela e contemplo
 - Não a noite fria -
Mas a saudade que sopra e queima
A brisa leve que o vento já anuncia.