domingo, 21 de abril de 2013

AUTO DECODIFICADO


Meu Amor,

A vida é a máxima do caos
O big bang ao contrário
Tentando varrer as novas espécies.

E de que espécie de ser
Eu sou?
De ninguém.

Eis que meu peito insurge
Seco e embalsamado
Para não corroer-se diante do perecível.

E você?
Urgência silenciosa
Que aprendi a prescrever
Prescutar.

A mim basta uma palavra
E serei abduzida por teus significantes.

 É preciso intermediar essa cor de fundo
Para não transfigurar-se em transparência.

Eu sou dele.
Do verbo.
Aquele que conjuga ação
E por hora estou a rimar com dia claro, apenas.
Quero o amor desperto
Presente
Com boca, mãos, olhos e dentes.

Porque sou frágil
Sou tênue relevância
Entre o que é
A ponto de deixar de ser.

Nossa telepatia prossegue
Impávida e inalterada
Como não houvesse raios de sol
A perambularem meus ouvidos.

E em verdade
Nada soube da tua boca
Teus anseios gotejaram-me selados
Mas silenciosos.

Sei
Que estive inteira
Sóbria
E mais que atenuante.

A lua desfalece minguante
No céu de conta-gotas de cada espera
E se me escondo
A revirar-te os ouvidos
Sei que o passo
Reaprende o bom êxito
E aprendi a estar só.

Se calhei de dividir nomenclaturas
Foi por saber-me pouca
-Criatura de fé-
Para tão vasto espírito ateu.

Ainda assim sigo
E creio:
O ardor de todo pacto infinito
Não é o fim, 
                 mas o adeus.