quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

SEPARAÇÃO DE CORPUS

A cor dos meus olhos
-serena-
Confunde-se com a lua torpe
Das incertezas.

Não por falta de convicção 
- me entenda-
Mas por saber que onde há rua
Há farol
E a penumbra é como pó
Que repousa sobre a mesa.

Talheres ao alto!
Que voem os copos
Quebrem-se o pratos
Os chatos
E os planos!

Eu quadriculo o quadrado
Cada um no seu,
E eu no meu
O nosso é o oceano.

Quadrado enorme
E disforme
Percorrido pelas marés longínquas
E correntes marítimas
A minha fé
Em ser tua mulher
Não cabe em uma rima.

Arruma
Os móveis todos
No canto da sala
E abre alas
Pros nossos poucos
Espaços
Que juntos
Constituem hemisférios.

Eu falo serio!
Meu dom mais terno
É estratificar o dito termo
E descontrai-lo ao extremo...

Relaxa.

A vida é bem mais simples
Do que as aspas
De "viver bem"
Mas bem viver
É viver às lagrimas!

E eu choro
Menina tola
Do pequeno pé
Que onde pisa
faz surgir
O asfalto.

Eu falto
Para ser presença
Inconstante
E esperada
No abrigo íngreme,
Na autopista
- Em lombadas e cicatrizes -
Que não se segue pelas placas.

Curva acentuada à esquerda
Direção segura é a consciente
E modesta
Pronta para desviar dos muros
Sem mirar em florestas.

A vida é uma selva
Eu bem sei!
O bem que eu procuro
Quem me dera!
Me dará
Terra firme?

Estou às margens da BR 115
Mas estou em festa.

Me perdoe, meu papel
Por não ferir-me
Nem às vésperas...

Não há dom
Que o amor não sublime
Nem o mesmo o dom
- acredite -
Que há na dor de ser poeta.

(31/01/13 - 01:27)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

AUTO DE SAGRAÇÃO


A liberdade é um céu de espinhos
em nuvens áridas
Secas
Secas
E esparsas.

A liberdade é um nó no linho
E na navalha, o punho...

Pálida,
Escorro sangue
Na grinalda.

A liberdade é o preço ganho
Do sem destino
Um terço a menos
Do que exprimo
Um dedo a menos
Em cada palma.

Ali a verdade é um peso
no estômago
do meu filho,

Todo verso meu
É um antigo delírio
Esquecido na fome do mendigo
Alimentado na mais soberana
Das faltas.