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AMORfo

A hora é de parar ponteiros.
Reavaliar o foco e redimir as próprias sensações. 

Ser humano,
É privilegiar no ato, a falha, 
Na fala, o atalho para o pormenor das frustrações.

Dou minha cara a tapa

te mostro a outra face da esfinge. 
Finge que acredita no fastio daquela que te devora, marota 
E amarrota a roupa a regurgitar os traumas que a cada timbre, tu arrotas.

Eu te devolvi ilusões calculadas no brilho de um flash. 

Das que valem a mesma mísera marmota de um falso brilhante.

O signo não é a preciosidade lapidada, 

mas a pedra escondida no sapato do operário que anda descalço, 
E usa meias.

Palavras. Inteiras odes de esmorecer cada dose

da posologia barata escondida no meu silêncio.

Eu calo. Eu pedra na meia sem sapato do operário. 

Eu sábado, quem sabe, um dia a menos de jornada de trabalho.
Eu, domingo.

Ei, 
(eu posso)
Escuta: 
Dizer que há nó cego 
Não desfaz o estrago da corda roída.

Rói, rato. 

Perambula esquizofrênico, 
Pela labilidade do teu próprio asco de ti.

Rói a corda que enforca o palhaço e ri
Da trágica piada do rato mudo 

Que miou.

Gato... Felino.
Guarda tuas unhas
Para te salvar de cada bola de pelos
Que engoles
Quando lambes o espelho.

Languidos termos
Não leio em teus moldes
Mas são os meus ódios mais serenos
Que desafiam de puro peito

Á tua pele de cordeiro.

Geme. 

Goza 
       da dor de existir
Sem forma
Amorfo
Mofado
Junto a cada migalha de pão largada no sótão
Taciturno amanhã de quem adormeceu
tão fraco
Que acordou ao "grunhir" de um rato
Catando restos do meu murmúrio.

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