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AUTÓTROFO

Há cansaço em existir...

Nula,
Desisti de todas as querenças.

Só 
Quero regurgitar o veneno
Sistêmico
Do dia a dia

Expor o caos à exceção
Me fantasiar de tempo
E passar incógnita
Por cada ruela do esquecimento.

Eu morri à míngua 
E o sol
Solitário e ambíguo
Tornou-se repouso à sombra
De uma lua qualquer.

Assombro-me da crueldade
Inanimada em olhos fixos
Distraídos do instante
Em que foram passíveis
De ver.

Cala-te boca
É o calabouço que te acorda
Subterrâneo
Ima translúcido de teus dedos
Metais de vidro
A atrair fragmentos ao vento.

Eu duvido
Que aceite o reflexo
Como ato involuntário
Do que tende a ser
Espelho
Desespero
Perto
Aperto
Não há pleito algum em quem
Esqueceu-se de reivindicar.

Fraco
A corda arrebenta do lado
Mais fraco
Mas apto à fraqueza
De arrebentar.

Só sei
Que só
Tenho aptidão para sobreviver.

E enquanto existo
Há uma naja sibilando
Dogmas em línguas febris
Contorcendo-se inebriada
Pelo claustro do próprio sufocamento 
Por entre mágoas.

Agora vai
Troca de pele
Digere essa presa
Que abala o vazio
A fome
A finitude do ser
Que era
Antes do bote

E sobrevive.

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
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Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
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A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

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