sexta-feira, 6 de julho de 2012

MÚLTIPLA DE TI

Meu amor,

Não tome meu zelo como autômato 
De quem crê portar o visto 
Do que, alheio a tudo,
A tudo viu.

A começar por ti
Estréia concebida apenas na usura fantástica 
Da minha imaginação.

Não...
Essa assimetria toda combinada
Calhou de me emudecer
E na ausência de um tipógrafo
Prefiro não tipificar cadências
Tímidas
Tão pouco
Avassaladas
Em mútuo estado de contingência.

Mas me diz
Conter por quê?
Se cada letra que cravo na vida
Me parece ter sido bem disposta 
À tua espera?

E não que não seja
De perecer
O usufruto do nosso tempo
Disparado e vertido de ausências

Mas não posso
(nem quero)
Viver de cronometrar despedidas
Ou derreter a parabólica 
Dessa nossa curta metragem de amor sem medida
Assim tão óbvio
Erguido em terreno inóspito
E entregue em cada (tão terna)
Premissa!

Não hei de estender o poema
Pudesse amplificar paradigmas recortados
De realidade

Não penso
Que quero
Ao que sintas
Desejar-te

Posto que já te tenho
Curvo e aliterado
Sem sombra 
Suor
Ou sílaba
(Saussure) 
Que sussurre...
Ou Sartre

Sorte
É estar

E eu 
Estou na tua
Nu(n)ca
Repartida 
Em todas as outras infantes
- Tuas musas de antes -

Mas eu sou 
A branca
- Bem rubra -
Eu sou a única
Que fica.

(22/05/12 - 04:36)