domingo, 10 de junho de 2012

DOMÍNIO

Se de me olhar
Me enxergasse
Não precisaria irromper
Vestígios de saudade
Extrema.

Em seus olhos
Há poema
Investidas tão torpes
Quanto anímicas estrofes
- Tão nobres -
Mas enfermas.

A poesia escorre
Não há tema...
Por mais que eu tema à morte
Ouso a overdose
Da ausência.

CULTO AO AUSENTE

Se queres me deixar
Me deixe
Este feixe de luz
Não é corrente
Flui e se finda...

Na ausência
O que seduz
É fonte etérea

Não é matéria prima.

SOFISTICADO

Eu te retiro
Dos direitos adquiridos
De todos os sábados
Dias santos
E domingos

Eu miro
E atiro

Meu amor é um cínico
Alvejado no rosto
E com um sorriso torto

Caído ao chão
Do sofismo.

INTERTEXTO

A liberdade
é liquida...

E escorre dos meus olhos
Nos teus
Subentendida.

TAL VEZ

Sabe
Que de sonhar
Um dia
Penso

Esse espelho
Esse outro
- idêntico -
Dentro do mesmo
Que se quebrou

- Foi o texto -
Não foi real

Foi por extenso.