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Mostrando postagens de Maio, 2012

POEMA PRETERIDO

E se eu te escrever
Um poema
Que não for teu
Mas capaz de restaurar
O silêncio que exalta
Nossas memórias ressequidas?

E se eu for capaz de te amar
Mas nunca mais
Capaz de te escrever
Poesia alguma?

Como fica?

FATAL

O vazio
De tantos corpos
- Inelegíveis -
Ao acaso...

Qualquer que seja
A desventura
Eu pairo olhos
A disparar sinos de vento.

Eu busco
- A contento -
Um pouco do pão
Em divino código
Sirvo-me da sangria
Vitrificada na espera
E no desamparo.

Dos teus medos
Eu sou a deusa
Que era

Eu sou o fato.

AOS RECÉM-AVENTURADOS*

De tudo, ao meu amor serei atento antes,
E com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.


Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.



Há ocasiões que incitam o poeta que há em cada um de nós, que despertam tal olhar, ainda que escondido sob esferas quase cegas de racionalidade. Esta a qual somos instruídos a evocar diante do arrebatamento que precede a inspiração, para ao invés de dizer o que sentimos, optar por externar o que é adequado, o que é convencional e comumente, o que fará pouca ou nenhuma diferença para quem diz ou para quem ouve. É neste instante que a palavra perde a força,  não salva-guarda sentimento, porta apenas burocrática, o sentido.

E é no ínterim do permitir-se observar (que não devemos confundir com o reparar), que surge a matéria-prima mais primordial mesmo da poesia, a simplicidade que legitima as palavra…