segunda-feira, 16 de abril de 2012

D'ESCRITA

Para alguns
Loucura
Masoquismo
Devotamento.

Para mim
O que resta
Diante da privação
De sentir-me completa.

ANTES SÓ


Sei que há na arte
Este gosto
- Que não apenas -
Me acompanha.

SUB-ENTENDIDO

Está dito
Feito fosse
Silêncio.

ADIANTAMENTO

Não adianta
Elucubrar-me
Atrasos.

Adianto-te:
Estes
São mesmo
Da natureza
Do tempo,

Não dos meus braços.

PÉS NO CHÃO

Porto
Aéreo

Restam-me
As asas.

INFAME GERADO

Formigueiros
Formigam-me
Os pés
A começar
                 pela cabeça.

LUGAR IN_COMUM

Escolhas
Quase sempre
São pouco confortáveis.

Talvez por isso
Eu tenha escolhido
Sentar-me ao chão
E desviar-me de tantos
Olhares de cobiça
Que miravam-me
O assento.

sábado, 7 de abril de 2012

ATO VERBAL

O falo é teu
Mas quando falo
Sou eu quem te diz do poder que ergues ao meu favor
Quando a língua se agarra aos teus ouvidos.

Não que eu faça pouco de minhas curvas
Mas sei que é no contorno dos meus lábios que rendo os teus olhos
A desenhar labirintos ilógicos de costas nuas

Eu lavo o teu olhar com a minha palavra
Me insinuo na transparência sem-vergonha de um eufemismo
Te refaço das dúvidas e desconstruo as certezas
Em meu altar, faço lograr o teu teto de zinco.

Te dou cinco dos meus verbetes e flerto com a simplicidade do aconchego
Linguístico é o nosso adeus grego
Despedida não há nesse templo
Meu verbo te volta, te evoca desejo
E eu te beijo todo
Sugo o sal do suor, 
Sou pura fé em solo seco.

Objeto voador não identificado
É o meu par de braços a abraçar o abismo
Tal o vento que te catapulta os escrúpulos
Eu te guardo num silêncio rubro
Seguro de minhas inquirições de logo cedo.

O que sei não te pergunto
Meu verbo é um indulto que te serve
Acima do bem ou qualquer mal
 - Absoluto –
Minha palavra te mastiga o sentido
Para só depois devolver ao gosto o poder das sensações
Na terminologia interminável da libido.