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POEMA SEM FRONTEIRA - A Leon Tolstói

Revólver
Devolve
Aos montes
As montanhas
Que nos separam
Dos feixes de luz do cosmos
Em estampido.

Cosmopolita...
Eu sou a tua íntima fêmea pré-concebida
E sou a mais tímida e pretensiosa
Promessa exígua
De um exímio impressionista.

A extinguir tantas eras
Mais líquidas
Te escorro pelas mãos
- Não me siga -
Posso calhar de revirar
Tantas promessas
Desprovida das resmas
Ou das mesmas tão eternas
Quando pífias.

Observa-me circunscrita em pedra
Sou primitiva quimera
A conceber o amor em conserva
E mesmo com todo o poder da arte na guerra,

A mais pacifista.

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
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Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
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Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
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Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
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E se eu bradasse aos quatro cantos
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Por entre intempéries e raios
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Para subverter a beleza que não se vê
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Viesse sempre a costurar-me a boca
A cruzar meus braços,
E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
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Sem que te sentisses um otário?