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POEMA DE FIBRA

O fim do beco
Era um bloco
De rua.

Paredes escarlate
Parafraseavam
Sentimentos rubros.

Um passo à frente
Deflagaria nova era.
Para trás, a quimera...
Lembrança taciturna
De mais ávidas estações
A sangue frio.

Te corto os olhos
Com o golpe máximo
De uma saudade desconhecida.

O grito é um assalto
Mas não te entrego a minha vida.

Logo agora
Que aprendi a reservá-la
De meu próprio mistério
Sou surpreendida
Pela remoção massiva
De escombros.

É tanto teto de ouro
Retorcido
Que não sei se acredito
Que potes de ouro
Possam cair do céu.

Ao final dos arcos da lapa
Cada pupila se dilata
- Em iris -
Peço que desfoque de tuas crises
E me desveja no papel.

O velho é apenas um outro pacto
A desafiar, de novo
O tempo intacto
Que no cadafalso se perdeu.

Ergue teus olhos
E me encara
Adulta.
Não adula-me como mulher
- Jamais serei coisa tua.

Aceita-me ímpar, como tua dupla
Sou fruto, acima de tudo
De rima, madura.

O verbo cansou de trafegar no imenso
Agora quer vaga cativa
Mesmo que sem professar a fé
Ele prossiga a pé,
E jamais chegue à missa.

Estou certa
De que o que chamam de fé
É o feito de uma mulher
Que jamais foi submissa.

Comentários

  1. Aceitar a si e ao outro como se é... Muito bom! Ritmo e conteúdo perfeitos!

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Estou em vias
De bastar-me
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Sozinha.

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Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

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