Minha poesia
Rima
Com covardia
Frustração
Esquecimento
Há vezes
Meus poemas
Viram oração...
Ora são ovacionados
Ora chocam
A platéia de otários
Pseudo-Didatas
Escravos de empenho.
Ora escrevem
O que vem na sequência
Ora prescrevem
As próprias dúvidas
Em delito.
Meus poemas
São uma típica moléstia
Das que afastam aos fortes
E abafam os gritos
Fulminam-os em ode
Em ordinárias doses
E game over!
Meu poema é um cover
De infinitas covardias
Mais extremas
Meu poema é nave mãe
Que me abduz em alta voltagem
Dos restos de clausura
Dos restos de clausura
Meu poema é um cínico
Vacinado contra a própria obviedade
Meu poema é o viés por onde atravesso
E sobro-me nula.
Meu poema é voz de ciso
A empurrar a dentição que tritura
O enigma pastoso do meu dia-a-dia
O enigma pastoso do meu dia-a-dia
Meu poema é uma pena
Uma condecoração por cada falho ato de bravura
Meu poema é tão só
Uma súbita sutura
Que sangra cada suposição
A coagular na fuligem
De minha franca armadura.
Meu poema é uma rima pobre
E letárgica
Que se consome no ventre
Mas no ventre não se espalha.
Meu poema é um acidente
Em percurso presumido
Meu poema é a ínfima gênese
Em que mato o que eu mesma crio.
Meu poema é um filho bastardo
Alimentado no verbo
Mas abandonado ao acaso dos trilhos.
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