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Mostrando postagens de Janeiro, 2012

REDENTOR

Há tamanho ardor
Retorcido em faz-de-conta
Que prefiro elevá-lo
À redenção.

Autoridades de fé
Nada movem além de miragens
Bravo mar em ricas margens
Vaga lei dos que fogem, em vão.

E daí que te ergo os braços
E te concedo o livre-arbítrio
Para que optes, ao fim
Por todo o acaso
- Não por bom exemplar de sexo frágil -
E não me escondas
De tua face máxima
- Me deixo exposta -
Mas não como tua devota

E caso faça as vezes
Do todo poderoso que me ouve
Mas que, passível, permanece imóvel
Ainda poderás olhar ao alto
A vaga estrela do impossível
- Que se recolhe -
Bem diante dos teus olhos.



(E como crer, se é incrível?)

DE CARNE E OSHO

Teu dom é um poema
- Diferente do meu, que prescreve -
O teu presentifica.

E é por ficar, talvez
Que a cada letra
O tema me fuja à lira
Sou tomada a cada cem decibéis
Por uma onda de pausas quase rítmicas.

Não precisa dar nome ao meu lugar
Eu que já vaguei por vastas esferas
- Tão notívaga -
Hoje ergo-me do chão no será
Daquela que perfuma o ar, esquecida.

Mas continuo a acreditar
Porque ninguém há de devolver
Minhas luas, tão ingênuas...
Tenho fé mas sou feita de fibra de mar
Que a maré não há de afundar
Enquanto me quiser, terrena.

ACASO ESTAÇÃO

Há vezes
Minha poesia                     Rima Com covardia Frustração Esquecimento
Há vezes Meus poemas Viram oração... Ora são ovacionados Ora chocam A platéia de otários Pseudo-Didatas Escravos de empenho.
Ora escrevem O que vem na sequência Ora prescrevem As próprias dúvidas Em delito.
Meus poemas São uma típica moléstia Das que afastam aos fortes E abafam os gritos Fulminam-os em ode Em ordinárias doses E game over! Meu poema é um cover De infinitas covardias Mais extremas Meu poema é nave mãe Que me abduz em alta voltagem
Dos restos de clausura Meu poema é um cínico Vacinado contra a própria obviedade Meu poema é o viés por onde atravesso E sobro-me nula.
Meu poema é voz de ciso A empurrar a dentição que tritura
O enigma pastoso do meu dia-a-dia Meu poema é uma pena Uma condecoração por cada falho ato de bravura Meu poema é tão só Uma súbita sutura Que sangra cada suposição A coagular na fuligem De minha franca armadura.
Meu poema é uma rima pobre E letárgica Que se consome no ventre Mas no ventre não se espalha.
Meu poema é …

DA CONFISSÃO E DA INDULGÊNCIA

A tua malandragem
Te precede
E eu, admito
Cedo aos teus "em tanto"...

Entretanto
Te percebo
Te estudo
- Não projeto -
Projeção pressupõe perspectiva
E a minha literatura
Te deforma
A cada hora
Desconstrói
E temporiza ao meu gosto
E ao meu modo
Irrestrita
Sou dona de conceber
A fé antiga
Que atire a primeira pedra
Quem não for mulher
De erguer-se da queda
Mais bonita.

Minha beleza
É o contra-senso
Da tua lógica
Desafiada
Pela gótica
Simetria
Que verbaliza.

Conforme
A performática
Do anti-furto
Te entrego
O meu amor
Dissuadido do verbo
E enfim, me nego...

É meu indulto.