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DO PRINCÍPIO DE TODAS AS SOMBRAS

Amo a extrema fosforescência
 - Fosca ao amar-te -

Amo esbanjar-te tolo
Enquanto enfeitas aquela outra
Com torpor de colheita
E nenhuma face.

E bem sei, te são tantas...
Uma para cada teu
Obra para todo quase!

Ainda que não eu
Escolho-me íntima
Para abandonar-te ao teu descaso
Somos ouro de tolo
Farinha do mesmo saco
Assalto teus prósperos verbos
E me encontro quando me roubas
De tua própria fé
Ao fingir que não sabes.

São os médios e graves
Que dão os tons do teu ego
Mas se te começo
Te acabo
O amor não foge a um cego
Só protege-se na arte.

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

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Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
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O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

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