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DO EXERCÍCIO DA POSSE


Bem de onde
Ouço
A tua insígnia
Me calo
No sopro
E te verso
Infinita.

E a cada cor de mar
Maré vem
- Mansinha -
E molha-me a ponta do pé
Não sou bailarina.

Mas danço
Embalo o pranto
Em tua rima
E se choro
- Não te assusta -
A alegria não faz doer
De ouvir coisa alguma.

Sou menina de fé
Posso descrer se quiser
Há vezes moro na lua.
Não por sua imensidão
Taciturna
Mas por poder decrescer
E assim te esconder
Em rima de rua.

Eu sei
Eu te porto sem parecer
Flor de lótus
Ou adorno de chuva
Pois o que molha
Só irá respingar
Quando a lira
Por bem me deixar
Para enfim, ser tua.

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
E as lavasse do ritmo
Do timbre
Dos anos
E as apresentasse pra ti?

E se eu bradasse aos quatro cantos
O mesmo silêncio que exiges
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Por entre intempéries e raios
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Para subverter a beleza que não se vê
Com os olhos
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De um cego
Mas te ferisse com meus dragões?

E se o bem que eu te fizesse
Viesse sempre a costurar-me a boca
A cruzar meus braços,
E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
Haveria como professar a fé
Sem que te sentisses um otário?