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Mostrando postagens de Dezembro, 2011

HABEAS CORPUS

Que conste no autos
Cada evidência trêmula
                                   Das vossas concessões
Para que enfim,
Não nomeies o inevitável
Com os escrúpulos do todo-acaso.

A salvo os prazos,
Estão as prisões.

DORAVANTE

A poesia caiu do cavalo
E resolveu seguir
Adiante
Por sobre os próprios pés de estigmata
- Os seus punhos -

Jamais haverá de confiar seu vir a ser
A um quatro patas
Incapaz de livrar sua palavra
                                          Do infortúnio.

JURADA DE SORTE

Meu amorÉ uma afronta Imaculada Sob as amarras Da Literatura.
Liberta e sôfrega - A mais honesta  - De minhas súplicas.
Quisera poder arrendar O meu peito ao teu amor Como me invade a poética A cada jura.

ADVERSA

Te dou torpor
Amanhecido De promessa Sem garantias de volver à tua sede Os meus pecados são da fonte, a rede E eu, do verso.
- Ninguém -
                    Me versa.

SANGUE FRIO

Um poema
É vasta oferta
É fé, alerta
Em meu ventre
Um obstáculo.

Observa-me reluzir em tua pele
Enquanto me descobres anestésica coleta
O poeta que traz às margens a própria fome
Extingue a febre que lhe é concreta.

LEGÍTIMA (in)DEFESA

Quero tomá-lo
Percorrê-lo em guerrilha de mouro
Quero roubá-lo acerca de ti
- De teu próprio ouro -

Mas não quero
Querer-te
Em vias de latrocínio

Só em último caso
Te redimo e descarto
Com um único tiro.

SOBREVIDA

O amor é um parasita
- Trágico -
A debochar do próprio hospedeiro.

Hospitalize-o.

Tanto faz quem agoniza
O elo é um frágil
Descoberto na premissa.

Morrer de amor
É sobrevida.

DO EXERCÍCIO DA POSSE


Bem de onde
Ouço
A tua insígnia
Me calo
No sopro
E te verso
Infinita.

E a cada cor de mar
Maré vem
- Mansinha -
E molha-me a ponta do pé
Não sou bailarina.

Mas danço
Embalo o pranto
Em tua rima
E se choro
- Não te assusta -
A alegria não faz doer
De ouvir coisa alguma.

Sou menina de fé
Posso descrer se quiser
Há vezes moro na lua.
Não por sua imensidão
Taciturna
Mas por poder decrescer
E assim te esconder
Em rima de rua.

Eu sei
Eu te porto sem parecer
Flor de lótus
Ou adorno de chuva
Pois o que molha
Só irá respingar
Quando a lira
Por bem me deixar
Para enfim, ser tua.

DO PRINCÍPIO DE TODAS AS SOMBRAS

Amo a extrema fosforescência
 - Fosca ao amar-te -

Amo esbanjar-te tolo
Enquanto enfeitas aquela outra
Com torpor de colheita
E nenhuma face.

E bem sei, te são tantas...
Uma para cada teu
Obra para todo quase!

Ainda que não eu
Escolho-me íntima
Para abandonar-te ao teu descaso
Somos ouro de tolo
Farinha do mesmo saco
Assalto teus prósperos verbos
E me encontro quando me roubas
De tua própria fé
Ao fingir que não sabes.

São os médios e graves
Que dão os tons do teu ego
Mas se te começo
Te acabo
O amor não foge a um cego
Só protege-se na arte.

DISTINTA

A tinta caprichosa
Do meu desaparecimento
Te assinala vasto
E a mim, omissa.

Vivo em cada nota lágrima
Que entre lencóis
A sós em teus braços
Se presentifica.

DA GÊNESE E DO ESTRANHAMENTO

Você
É meu bendito
Usufruto
              Unsual...


Você é meu empréstimo
Servo e tão astuto
Que sei
Jamais substituo
Ao final.

Você
É a razão
Demasiada
Plena
Meu equilíbrio
- Díspar -
Em quarentena
Meu santo graal.

Você
É minha hora
Salva
Subentendida
Você
É aquela mesma aurora
Ingrata e voluntariosa
Que digna e exata
Me permeia...

Você é meu verso
Meu enigma.

VIAS DE FATO

Pareço vagar entre meias-inspirações Delírios de sóbrio em pirotecnia Acima de meus braços Está o absoluto diagnóstico Faço votos mas te devoro Como,  - Bem - Eu já temia...
Tento ser menos "Poe" E dar mais espaço para o óbvio Tento encolher minhas expectativas Para estar ao menos prevista No meu próprio descaso Mas tu me reclamas o êxito Quase que no dia-a-dia de nossas lavouras Lavra a si dor Como à palavra rege a boca E me cala.
Fico eu subentendida Em relatos de inóspita sobrevivente A intercalar meus períodos de luto Com tuas doses prematuras e tão típicas Que às vezes Pareço ler tuas sombras mais escusas E iluminar teu próprio rastro.
Sei que no fundo não recusas Mas é arbóreo o terreno etéreo do teu pensamento Sei que de viver sinto o pleno A léguas de prever assento A poeira que levanto a cada ato É minha senha Entenda-me bem se assim puder.
Clara é a predominância do intacto Vinga a reserva fina do acaso Ao caso de ser perene Precipito o caos da gênese Ao que já me é um hábito.
Mas não habito o que …