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SÓ_TÃO

Escarlate
Eu bebo
Eu vejo
- O vermelho -
Em teu sangue
                      Não há sorte...

Quisera poder reverter
Tal tua arte
Essa cisma
Contínua
De decrescer à catarse.

Bem que tento
Ser porquê
Quando o que me resta
É pedir mais uma dose
Em dócil esmero
Ou em frase...

Frágil é o recesso
Do meu eu
- Eterno -
Em diálise...
Dia-a-dia
A análise
Anáfora
Presumida
                Em overdose.

Não fossem os fósseis...
Admiro-me dos sósias
- Do espetáculo -
Espero em Espártaco
Que sem rever
Espantalhos
Minha horta norteia
Aos dons do semi-árido.

Deserto
A desertar Herodes
Heróis não sucumbem
Ao estupor dos que matam
Mas aos que em tanto
Disparam os seus cantos
Em in_pacto!

Te dou o meu sótão
Para que possas absorver
Isóbaros
Indignos de super exposição...
Te escondo, então
Se te acham
Não me roubam
- De ti -
Resta um simples
Auto-retrato
Não um léxico
Mas um leão
A devorar
               O meu porvir.

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PLANO DE VOO

Vivo de amortecer a queda
De minha tão insensata
Passionalidade.
Mas foi quando fiz do cárcere
Matéria-prima
Que voei pela primeira vez
E avistei à rima

Raro é pouso de minha pele
A ponto de não averbar circunstâncias
- Mas vivê-las -

E foi ali, em via aérea
Que toda noção de limite
Ressignificou-se no timbre da minha espera...

Por mais que eu possa avistar a terra
- Aqui de cima -
Estou em vias
De bastar-me
- Incrédula -
Sozinha.

Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive à gravidade
A poesia...

Bobagem!


Há quem diga
Que nem só de voar
Sobrevive a saudade

Imaginada
Em cada rota linha.

POEMA ILUMINISTA

Não hei dizer do credo
Cruzes!
Eu, ao invés de abrandar ao clero
Divago no vulgo do verbo
E ergo-o sacro ao vão das luzes!

Não hei dizer do credo
Claro!
Se não me ouves!

Ouses dizer do que falo
E então far-se-ão em verso
As cores!

Não hei de dizer do cado
Enquanto não fores de fato iluminado
Na dúvida de teus outros amores!

O AMOR PRECEDE A EXISTÊNCIA

E se eu estendesse as tuas próprias palavras
E as lavasse do ritmo
Do timbre
Dos anos
E as apresentasse pra ti?

E se eu bradasse aos quatro cantos
O mesmo silêncio que exiges
Que seja escutado
Por entre intempéries e raios
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E em alto e bom som?

E se eu usasse todos os meus dons
Para subverter a beleza que não se vê
Com os olhos
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De um cego
Mas te ferisse com meus dragões?

E se o bem que eu te fizesse
Viesse sempre a costurar-me a boca
A cruzar meus braços,
E se minhas bênçãos debochassem
Das tuas vestes e do teu hábito
Haveria como professar a fé
Sem que te sentisses um otário?